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Oakley Meta HSTN na maratona de Chicago: a bateria morreu no km 30 e mudou tudo

Gustavo Velozo · · 8 min read

Comprei o Oakley Meta HSTN — o óculos inteligente da Oakley em parceria com Meta — pensando especificamente em usá-lo na maratona de Chicago. A ideia era simples: a cada milha (1.6 km), capturar um vídeo curto do meu ponto de vista. Áudio do percurso, atmosfera da prova, multidão, vista. Música tocando pelo fone integrado. Pergunta para a Meta AI sobre referências do percurso.

A bateria morreu no quilômetro 30. Perdi a captura da chegada. E o que parecia ser um produto incrível em ficha técnica revelou seu gargalo real no uso prático.

O que é o Oakley Meta HSTN

Por US$ 479 antes de impostos, você leva:

É a evolução do Ray-Ban Meta lançado em 2023. Mesma plataforma, design diferente, alguns refinamentos.

Por que escolhi o HSTN (e não a versão Performance)

A Oakley tem duas linhas: HSTN (lifestyle / urbano) e Performance (mais focada em esporte). No momento da compra, a Performance estava em pre-order (não disponível). Como queria usar na maratona em outubro, comprei o HSTN.

Em retrospecto, talvez a Performance tivesse trade-offs diferentes — possivelmente bateria maior, lente otimizada para esporte. Mas como o HSTN é o que existe, é o que testei.

A primeira impressão: peso

Tirando da caixa, a primeira coisa que se nota é o peso — cerca de 50 gramas, quase o dobro de um óculos de sol moderno. Para uso diário, é perceptível. Para corrida, surpreendentemente confortável — a armação prende bem nas hastes e ele não escorrega mesmo com suor intenso.

Para os primeiros dias, demora um pouco para acostumar com o peso extra. Depois de uma semana, era praticamente esquecível.

O som: a maior surpresa positiva

Esse é o ponto onde o Oakley Meta entrega muito além do esperado. A qualidade de áudio é excelente:

Durante a prova, fiquei com a playlist tocando o tempo todo. Funcionou perfeitamente — sem nenhum momento em que precisei tirar o óculos por causa do som.

Para quem usa fone de ouvido em corrida e detesta a sensação de ter algo no ouvido, isso aqui resolve.

A câmera: para conteúdo, mas com ressalvas

A câmera é wide-angle estilo GoPro, capturando muito do campo de visão. Cores boas, exposição automática decente.

Limitações claras

Onde brilha

Para quem produz conteúdo casual no Instagram ou YouTube, o ângulo "isso é o que eu estou vivendo" tem valor único. Para conteúdo profissional, é complemento, não substituto da GoPro.

A Meta AI: legal em teoria, frustrante na prática

A Meta AI integrada é o que diferencia esses óculos de um simples fone Bluetooth com câmera. Você fala "Hey Meta" e pergunta coisas.

O que funciona bem

O que falha

Nos meus testes, cerca de 50% das perguntas tiveram respostas insatisfatórias. Coisas como:

A tecnologia é promissora mas imatura. Vai evoluir muito nos próximos 12-24 meses, mas hoje não é argumento principal de compra.

A maratona de Chicago: o teste real

Larguei com 100% de bateria carregada na noite anterior. Plano:

O que aconteceu

Perdi exatamente o momento mais simbólico — atravessar a linha de chegada da maratona, depois de meses treinando.

A matemática da bateria que ninguém te conta

A Oakley promete até 6 horas de uso. Vamos decompor:

Cenário Autonomia real
Modo idle (óculos sem uso ativo) ~6h ✅
Apenas escutando música ~4h
Música + alguns comandos esporádicos ~3h
Música + captura de vídeo intermitente ~2h ❌

Os 6h da ficha técnica assumem uso passivo. Para qualquer cenário ativo (música + câmera + IA), conte com 2 horas no máximo.

Para maratona de elite (~2h30 a 3h30), isso é insuficiente. Para meia-maratona (~1h30 a 2h), atende.

Por que isso importa para o futuro do produto?

A Meta e a Oakley sabem que precisam melhorar bateria. Mas existe um trade-off físico:

Eles estão no limite atual da tecnologia de baterias miniaturas. Para o próximo salto, vão depender de:

Não espere milagre na geração 2. Talvez na 3 ou 4.

Para quem é o Oakley Meta hoje?

✅ Vale comprar se:

❌ NÃO compre se:

O que fazer agora — antes de comprar

1. Veja review de quem usou em condições parecidas com as suas

Não confie na ficha técnica. Vídeos reais de uso prolongado mostram o que importa.

2. Calcule sua duração de evento

Se é menos de 2h ativos: bateria atende. Se é mais: não.

3. Considere as versões Performance (quando saírem)

Anunciadas mas em pre-order. Podem ter bateria maior ou otimização para esporte. Vale esperar se você é atleta.

4. Use banco de bateria portátil em provas longas

Não é elegante, mas se quer captura completa de uma maratona, traga um power bank e carregue durante uma parada estratégica (km 21, por exemplo).

5. Não conte com a Meta AI ainda

Hoje é gimmick mais que feature. Compre pelo som + câmera + design, e veja a IA como bônus que vai melhorar com firmware.

Perdi a chegada da maratona de Chicago. Mas ganhei clareza sobre o que esses óculos realmente são em 2025 — uma primeira geração promissora, com limitações reais. Vou continuar usando para conteúdo do dia a dia, viagens, e provas curtas. Para a próxima maratona, levo um power bank ou aceito perder a captura completa.


Este artigo foi gerado a partir do meu vídeo no YouTube. Assista a versão completa para ver os vídeos capturados durante a maratona até o momento em que a bateria morreu.

Prefere vídeo?

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