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Garmin Edge 1050: vale o upgrade vindo do 1040 ou 1030? Review de 90 dias

Gustavo Velozo · · 6 min read

Comprei o Garmin Edge 1050 quando ele saiu no final de junho/início de julho de 2024 e usei como meu ciclo-computador principal por aproximadamente 90 dias antes de gravar esse review. Faço dois a três treinos curtos durante a semana mais um treino longo no fim de semana, totalizando 12 a 13 horas de uso por semana — tempo suficiente para entender onde o aparelho brilha e onde ele decepciona.

Pulei o 1040 deliberadamente — quando ele foi lançado, achei que não tinha mudança suficiente para justificar a troca a partir do 1030. Agora, com o 1050 em mãos e amigos meus rodando o 1040, consigo te dar uma análise comparativa entre as três gerações: 1030, 1040 e 1050.

O que mudou no hardware externo?

A diferença visível mais imediata está no cabo de carregamento: o 1050 abandonou o conector antigo da Garmin e adotou o padrão USB-C. É uma evolução que faz sentido no longo prazo (todos os meus dispositivos estão migrando para USB-C), mas significa uma transição com cabos diferentes pelo caminho.

Em tamanho de caixa, o 1050 é ligeiramente maior que o 1040, que por sua vez é praticamente idêntico ao 1030. O ganho é todo direcionado para a tela.

Por que a tela é o grande argumento do 1050?

Esse é o ponto onde o 1050 não tem competição:

Quando você liga os três lado a lado, a diferença de brilho é gritante. Em pedaladas com sol forte e óculos antirreflexo, o 1030 às vezes deixa a desejar dependendo do ângulo. O 1050 simplesmente resolve esse problema.

A interface finalmente ficou intuitiva

Se você já tentou customizar os campos de dados em um Edge 1030 (Cadência, Velocidade, Batimento, etc.), sabe que o processo era arcaico. No 1050:

Parece trivial, mas é o tipo de UX que muda o dia a dia. A navegação também ficou bem mais rápida — sem aqueles delays de troca de tela que a geração anterior tinha.

O que é o Group Ride e por que é a feature mais interessante?

O Group Ride é o recurso novo que justifica o aparelho para quem pedala em grupo:

A boa notícia: pelo que estava lendo, a Garmin vai disponibilizar Group Ride via firmware update também para a família 40 (1040, 840). Ou seja, quem tem 1040 não precisa trocar para ter essa feature.

E as outras features menores?

Boa parte dessas features secundárias também está chegando à família 40 via firmware.

O ponto fraco do 1050: a bateria

Aqui vem a decepção. A bateria do 1050 gasta mais que a do 1030. Não é pouco — é diferença real.

Comparação na prática, com meus sensores conectados (potencímetro Garmin Rally, cinta cardíaca HRM, Garmin Varia radar + luz):

Aparelho Autonomia real (meu uso) Treinos por carga
Edge 1030 25-30h ~2 semanas
Edge 1050 18-20h ~1 semana
Edge 1040 Solar 40+h (relatos de amigos) ~1 mês

A Garmin justifica o consumo do 1050 pela tela com mais resolução, mais cor e mais brilho — o que faz sentido fisicamente. Mas, na prática, é um trade-off que pesa: agora preciso carregar toda semana, contra cada duas semanas no 1030.

Se você é o cara que faz provas longas (gran fondo, treino de Ironman, viagem de bike), pense duas vezes.

Vale a pena fazer o upgrade?

Se você tem um Edge 1040 (família 40): NÃO

A maioria das novidades de software (Group Ride, hazard reporting, etc.) está vindo via firmware. Você vai pegar o pior dos dois mundos: trocar de aparelho para ganhar quase nenhuma feature exclusiva, e ainda piorar a bateria.

Se você tem um Edge 1030 (família 30): DEPENDE

Vale a pena se:

  1. Seus amigos já estão no ecossistema 1040/1050 e você quer Group Ride com eles
  2. A interface trava você no dia a dia e a UX nova é importante para o seu uso
  3. Você não faz treinos super longos que estressam a bateria

Não vale a pena se:

Se você está vindo de uma família mais antiga (820, 830): SIM

O salto é grande em todos os aspectos — tela, interface, conectividade.

O que fazer agora — checklist antes de comprar

  1. Cheque seu uso real de bateria: se você fecha um treino de 8h com folga, ok. Se você opera no limite, considere o 1040 Solar ou continue no 1030.
  2. Pergunte aos amigos qual aparelho eles usam: Group Ride só funciona dentro do ecossistema novo.
  3. Confirme se a sua versão atual já recebeu Group Ride via firmware: se sim, parte da motivação para upgrade some.
  4. Considere o preço: estamos falando de US$ 700 + taxas. No Brasil isso vira um número considerável — tem que se justificar.

A Garmin entregou o melhor display que já fez em um ciclo-computador. Mas, como sempre na indústria, toda vantagem visual tem um custo invisível na bateria — e nesse caso o custo é grande o suficiente para mudar a decisão de compra para muita gente.


Este artigo foi gerado a partir do meu vídeo no YouTube. Assista a versão completa para ver a comparação lado a lado entre o 1030, 1040 e 1050 e o teste prático da buzina e do Group Ride.

Prefere vídeo?

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