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Garmin Fenix 8: testei no Ironman da Flórida — vale o upgrade vindo do Fenix 7?

Gustavo Velozo · · 6 min read

Recebi o Garmin Fenix 8 AMOLED 51mm na terça-feira de manhã. Fiz a configuração básica, coloquei minhas telas favoritas e, no sábado, competi com ele no Ironman da Flórida. A lógica foi simples: nada melhor que uma prova de 10h+ — natação em mar aberto, ciclismo, corrida — para testar bateria, brilho de tela, navegação e durabilidade num único cenário real.

Saio dessa prova com dados de uso intenso, comparação direta com o Fenix 7X Pro Solar Sapphire (meu relógio anterior, em mãos durante o vídeo), e uma posição clara sobre quem deve trocar — e quem deve esperar.

A grande mudança que ninguém comenta: a Garmin matou a linha Epix

O Fenix 8 não é apenas uma nova versão — é uma consolidação de marca. Até a geração 7, a Garmin oferecia duas linhas separadas:

Com o Fenix 8, a Garmin descontinuou a marca Epix e consolidou tudo dentro de Fenix. Hoje você compra "Fenix 8 AMOLED" ou "Fenix 8 Solar" (este último ainda com tela MIP). O Epix simplesmente desapareceu.

E mais um detalhe que pega muita gente: na versão menor (47mm e 43mm), a Garmin só oferece AMOLED. Se você tem pulso pequeno e quer a versão Solar com MIP, é forçado a comprar a caixa 51mm.

Bateria no Ironman: o teste real

Cheguei na largada com 100% e o relógio configurado em modo "Multisport" (Triathlon), conectado ao sensor cardíaco do peito (HRM-Pro), sensor de potência da bike, GPS em modo máximo durante toda a prova.

Resultado ao cruzar a linha de chegada (10h+): 78-79% de bateria.

Ou seja, o Fenix 8 AMOLED consumiu aproximadamente 22% para um Ironman completo. Fazendo a regra de três: o relógio entrega algo entre 30 e 40 horas de uso contínuo no modo GPS pleno.

Esse número é o que torna o AMOLED do Fenix 8 finalmente comparável ao Solar do Fenix 7 — durante anos eu argumentei que valia a pena aceitar o MIP em troca dos dias extras de bateria. Hoje, essa diferença diminuiu tanto que o argumento começa a perder peso.

A tela faz diferença real durante uma prova?

Faz, e mais do que eu esperava. O cenário onde isso ficou mais claro foi a natação em mar aberto:

Quando o relógio vibrava no pulso, eu dava uma virada, olhava o braço estendido na frente, e mesmo a distância conseguia ler claramente o tempo e a distância. No Fenix 7 Pro MIP eu teria que aproximar mais o braço. Pode parecer detalhe, mas em uma prova longa onde você está cansado, economizar microesforços de leitura importa.

Na bike e na corrida, o ganho de visibilidade é confortável — o brilho elevado mantém leitura fácil mesmo com sol direto.

Por que o Fenix 8 ficou mais pesado, e não mais leve?

Esperei que a Garmin conseguisse reduzir peso na nova geração. O contrário aconteceu: o Fenix 8 51mm é mais pesado que o Fenix 7X Pro Solar.

A explicação é a bateria. Para entregar 30-40h em AMOLED, a Garmin aumentou o pack de bateria internamente. Isso justifica a autonomia, mas piora um aspecto que para muita gente já era incômodo: o peso da caixa grande no pulso.

Detalhe positivo: o relógio ficou 2 décimos de milímetro mais fino — quase imperceptível, mas é uma redução.

As features novas que importam — e as que não

Microfone para comandos de voz: decepcionante

Sim, você pode dizer "Set timer to 20 minutes" e o relógio configura. Mas o tempo entre você falar, o relógio processar e a ação acontecer é maior do que simplesmente apertar dois botões para chegar ao timer. Para mim, é uma feature que não vou usar. Pode ser útil pra quem está com mãos ocupadas em certas atividades.

Sensor de mergulho até 40m: excelente, se você mergulha

Conversei com um amigo que mergulha, e ele confirmou: a grande maioria dos mergulhos amadores fica abaixo de 40m. Para quem hoje carrega um relógio de mergulho separado, o Fenix 8 vira a consolidação que fazia falta — um único aparelho para esporte cotidiano e mergulho.

Speaker e Bluetooth para chamadas: útil em cenários específicos

Você pode tocar música no relógio e atender ligações. Em um treino curto, não muda muito. Para corridas longas onde você quer atender uma chamada da família sem parar, ajuda.

Botões com sistema novo à prova de vazamento

O toque dos botões ficou mais agradável. A Garmin mudou a tecnologia interna por uma vedação melhor e, como efeito colateral, o feedback tátil melhorou.

Vale o upgrade?

Vindo do Fenix 7 / 7 Pro: NÃO, na maioria dos casos

A diferença de features práticas é pequena:

Se nada disso é seu caso de uso, mantenha o 7 Pro. Ele atende perfeitamente os esportes que você já pratica.

Vindo de Fenix 6 ou versões anteriores: SIM

O salto de gerações cumpre — tela, sensores, autonomia, interface. Vale o investimento.

Se você mergulha: SIM, sem dúvida

Consolidar mergulho + esportes multidisciplinares em um único aparelho é um ganho real.

O que fazer agora — antes de comprar

  1. Tamanho de caixa: se você quer 47mm ou menor, só tem AMOLED. Não existe mais MIP nessas caixas.
  2. Se você é Solar/MIP por convicção: a versão Solar 51mm ainda existe — mas a vantagem de bateria sobre o AMOLED não é mais o que era.
  3. Mergulho: confirme se 40m cobre seu perfil. Se vai além, precisa de relógio dedicado.
  4. Peso: se peso é fator, vá ao varejo experimentar antes — o 51mm AMOLED é pesado.
  5. Espere preço cair: na largada de uma nova geração, o preço é o mais alto. Se você não tem urgência, três meses fazem diferença.

A versão AMOLED finalmente entregou bateria comparável ao Solar, o que sempre foi o argumento mais forte para ficar no MIP. A diferenciação entre as linhas começa a desaparecer — e eu não ficaria surpreso se a Garmin descontinuasse o MIP na geração 9.


Este artigo foi gerado a partir do meu vídeo no YouTube. Assista a versão completa para ver as comparações lado a lado com o Fenix 7X Pro Solar Sapphire e os dados do Ironman da Flórida.

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